Nesta seção estaremos abordando os assuntos relacionados à manutenção de um JPX. Como são veículos "temperamentais", sua manutenção não pode ser descuidada se desejamos ter um jota confiável nas mãos e por muito tempo. A manutenção de um JPX é considerada cara e difícil por alguns, mas na prática tem se mostrado tão cara quanto a de qualquer outro 4x4 nacional. Os problemas que mais afligem os usuários de JPX têm sido a disponibilidade de algumas de suas peças de reposição e os preços praticados pelas lojas especializadas na marca, muitas vezes bem superiores aos praticados por outras lojas para peças similares. Para facilitar e baratear a manutenção de sua viatura, sugerimos uma leitura atenta da página PEÇAS para verificar as peças alternativas disponíveis no mercado.

     Antes de iniciar a leitura dos tópicos, deve-se lembrar que a correta manutenção do veículo como um todo é muito importante. De nada adianta cuidar muito bem de determinadas peças e negligenciar outras, pois em muitos casos a manutenção de alguns dos sistemas e componentes do veículo é interdependente e está intimamente ligada ao funcionamento de outros, como no caso do sistema de arrefecimento, que se negligenciado em sua manutenção fatalmente levará ao colapso do motor...

Esta seção está dividida da seguinte forma:

1. MANUTENÇÃO - PÁGINA 1 (aqui): Check-list com os principais tópicos de manutenção dos conjuntos mecânicos a serem observados nos veículos JPX

2. MANUTENÇÃO - PÁGINA 2: Detalhamento de alguns procedimentos de manutenção mais específicos, com fotos e explicações passo-a-passo (ainda em elaboração).

3. MANUTENÇÃO - DICAS: Dicas úteis para solução de pequenos problemas e promoção de melhorias em sua viatura JPX

4. TABELA DE LUBRIFICANTES E FLUÍDOS: Tabela com as quantidades e especificações técnicas dos lubrificantes e fluídos indicados para os JPX.

1. SISTEMA DE ARREFECIMENTO

     Principalmente devido ao fantasma do superaquecimento que aflige os JPX com motor XUD-9A, a manutenção preventiva do sistema de arrefecimento é de fundamental importância. Sempre que o ponteiro da temperatura começar a subir além da 3ª parte da escala azul (~95º/100ºC) é necessário redobrar a atenção na condução do veículo e evitar manter o motor em alto giro por períodos prolongados de tempo. Para evitar problemas, alguns cuidados preventivos básicos são recomendados:

1.1. Verificar periodicamente o nivel do líquido de arrefecimento, completando-o se necessário. O sistema deve ser preenchido com uma mistura de água + aditivo específico para radiadores, na proporção 60/40% (7,2 litros de água e 4,8 litros de aditivo = 12 litros - capacidade do sistema original). O aditivo usado deve ser a base de etileno-glicol, como o Paraflu, o Valeo Protect 50/100, o Radiex e outros existentes no mercado.

1.2. Verificar periodicamente o estado das mangueiras e junções que ligam o radiador ao motor. Verifique se não existem vazamentos e se a mangueira não está desgastada ou ressecada em algum ponto, vindo a romper-se durante uma viagem ou trilha. Troque-a se for o caso.

1.3. Troque no máximo a cada 6 meses ou 10.000 Km o líquido do sistema de arrefecimento. Aproveite para lavar radiador e mangueiras, removendo eventuais depósitos de resíduos.

1.4. Verifique periodicamente a pressão do sistema de arrefecimento em uma casa especializada em radiadores. O sistema é pressurizado com 21 libras. Se a pressão estiver muito menor que isso, o problema poderá estar em alguma emenda de tubo ou braçadeira ou na própria tampa do reservatório de expansão, que poderá estar muito suja ou com a mola inoperante, impedindo a pressurização do sistema. Lembre-se: se a pressão não for suficiente a água não circulará apropriadamente no interior do motor (especialmente no cabeçote) e este irá superaquecer...

1.5. Verifique de tempos em tempos os componentes elétricos do sistema, como fusíveis e relés das ventoinhas do radiador, fiação elétrica, chave termostática e a "cebolinha" do radiador (sensor de temperatura).

2. SUSPENSÃO

     Nos componentes da suspensão de um jota não há muito com o que se preocupar. Procure inspecionar de tempos em tempos os batentes dos amortecedores, especialmente os traseiros, para verificar se existe algum sinal de fadiga das peças, principalmente se o seu jota não teve estas partes reforçadas. Examine também molas e amortecedores para verificar se suas funções estão normais. Os pivôs dos triângulos e os pinos dos tirantes também merecem atenção.

2.1. Um ítem que merece atenção especial é o amortecedor de direção, que deve ser periodicamente inspecionado a procura de vazamentos de óleo, sintoma de que a peça está no final de sua vida útil. Se este ítem estiver defeituoso você poderá ter sérios problemas para manter a estabilidade do carro na estrada em velocidades mais altas, podendo até mesmo vir a capotar com o veículo. Para substituí-lo procure sempre adquirir o original pois os adaptáveis costumam durar menos da metade do tempo.

2.2. Verifique regularmente (10.000 Km) o estado das buchas e coxins dos triângulos dianteiro, traseiro e dos tensores. Se posível carregue sempre um jogo de buchas sobressalentes no veículo, pois elas costumam estragar nos piores momentos...

2.3. Os pinos de fixação dos tirantes devem ser verificados. Se você, desde que adquiriu o veículo nunca os verificou, convém visitar seu mecânico de confiança e desmontar os tirantes para isso. Se estiverem desgastados (mais finos que o normal da peça, o que pode ser constatado visualmente) devem ser substituídos. Como são envolvidos por buchas, a folga existente irá ocasionar desgaste prematuro das mesmas e acelerar ainda mais o desgaste do próprio pino. Este pino (ou parafuso, como preferem alguns) não é encontrado no mercado mas pode ser facilmente confeccionado por um torneiro mecânico, mediante as medidas do antigo.

2.4. Efetuar periodicamente (cada 10.000 Km) balanceamento das rodas, rodízio de pneus e verificar a geometria, bem como inspecionar os amortecedores e molas. Seguem abaixo as especificações de geometria do JPX Montez:

POR APARELHO ÓPTICO - Caster: 7º 30' a 8º / Convergência: -0º 20' a -0º 30' (aberto na frente)
POR APARELHO PORTÁTIL - Caster: 5º30' a 6º / Convergência: -0º20' a -0º30' (aberto na frente)

2.5. Verifique a cada 10.000 Km a folga nos terminais dos triângulos e reaperte as porcas de fixação dos terminais.

3. MOTOR E BOMBA INJETORA

     São componentes de importância vital (e muito caro$) merecendo por isso atenção especial. Procure levar o veículo para revisão e conserto apenas em pessoal técnico especializado e de confiança. Se possível deve-se procurar estabelecer um cronograma de verificações periódicas para não se esquecer destes itens. Lembre-se que uma manutenção criteriosa é chata e toma tempo, mas economiza muitos reai$ à frente...

3.1. Realizar a purga (sangria) do pré-filtro de diesel, retirando a água e os eventuais resíduos acumulados junto com ela. Este procedimento deve ser realizado no máximo a cada 15 dias, se o veículo tiver utilização constante e com diesel de boa qualidade ou sempre antes de sair com o veículo, no caso de uso eventual do mesmo (como só nos finais de semana, por exemplo). Isso é necessário devido à baixa qualidade do diesel comercializado no Brasil, que além das impurezas atrai muita água e com isso acaba danificando a bomba injetora. O procedimento poderá ser visualizado em detalhes no manual do proprietário, pág. 30 na versão civil ou pág. 36 na versão militar. (veja seção Manuais)

3.2. Procure sempre que possível abastecer-se de diesel em postos com grande rotatividade nos tanques, como nos postos de rodovias evitando os postos onde o combustível leva meses para ser vendido (principalmente dentro das cidades), pois o diesel nestes casos já estará muito contaminado com água. O diesel aditivado deve ser preferido por conter menos água. Outra dica interessante é abastecer seu veículo de diesel sempre nos finais de tarde, quando a temperatura do solo é mais alta, o que faz com que a umidade dos tanques do posto se dissipe pela evaporação.

3.3. Em viagens no asfalto procure não manter o motor em alta rotação (acima de 3500 - 4000 rpm) por longos períodos de tempo, forçando-o em demasia. Isso poderá lhe causar problemas de aquecimento e desgaste prematuro. A velocidade de cruzeiro ideal recomendada para o jota fica entre 90-110 Km/h.

3.4. Verifique periodicamente a tensão da correia dentada e substitua a mesma preventivamente a cada 35.000 km. Junto com ela, substitua também as correias do alternador e da bomba da direção hidráulica.

3.5. Verifique o nível de óleo do motor semanalmente ou sempre que aparecer algum sinal de vazamento. Faça a troca do óleo a cada 5.000 km utilizando lubrificante corretamente especificado (veja o tópico lubrificação, mais à frente).

3.6. Use o filtro de óleo especificado e de boa qualidade (Fram, Wix, Mann) trocando-o juntamente com o óleo lubrificante do motor.

3.7. Substitua no máximo a cada 5.000 km o filtro de combustível. Isso é muito importante para a vida útil da bomba injetora devido à baixa qualidade do nosso diesel.

3.8. Verifique periodicamente o filtro de ar. Normalmente deve-se trocá-lo a cada 10.000 km ou quando estiver muito impregnado, o que ocorrer antes. Nada de limpar o filtro de ar com jatos de ar de compressor, como muitos mecânicos fazem por aí. Esta "técnica" tupiniquim só irá entupir os poros do elemento filtrante fazendo com que o ar passe com mais dificuldade, forçando desnecessariamente o motor.

3.9. Ao dar a partida no motor frio não acelere de imediato, sempre aguarde uns 20 segundos para acelerar o veículo. Isso dará tempo para que o óleo lubrificante circule e proteja os componentes do motor e do turbocompressor evitando um desgaste prematuro. Aja da mesma forma ao estacionar o veículo após uma jornada, aguardando 20 segundos antes de desligar a ignição.

3.10. Limpar, testar e recalibrar (se necessário) os bicos injetores periodicamente (a cada 20.000 Km).

3.11. Verificar e reapertar o cabeçote do motor a cada 30.000 Km e os parafusos do cárter a cada 40.000 Km.

3.12. Verificar e ajustar a folga das válvulas a cada 30.000 Km.

3.13. Verificar a pressão de compressão dos cilindros do motor a cada 50.000 Km.

4. SISTEMA ELÉTRICO

     Muitos dos problemas que geralmente afligem os usuários de um bom 4x4 estão ligados a falhas ou panes no sistema elétrico do veículo. No JPX em especial o sistema elétrico normalmente não é fonte de problemas. Convém, como em todo veículo, observar periodicamente o estado dos cabos da bateria e bornes, fusíveis, fios que ligam faróis auxiliares, cabos do guincho e outros componentes visíveis à procura de sinais de desgaste, sobrecarga ou interrupção/corte de corrente. Antes de instalar ou modificar algum componente elétrico do veículo vale a pena consultar um bom auto-elétrico para evitar surpresas.

4.1. Verifique periodicamente (10.000 Km) as conexões elétricas do motor, alternador e motor de arranque.

4.2. Limpe periodicamente (normalmente a cada 15 ou 20 mil Km) os bornes da bateria e unte-os depois de lixados e apertados com graxa neutra ou vaselina sólida.

4.3. Regule os faróis e verifique o funcionamento dos instrumentos e luzes do painel a cada 10.000 Km no máximo, ou antes de realizar viagens mais longas.

5. SISTEMA DE FREIOS

     Um dos pontos altos do projeto do JPX Montez o sistema de frenagem utiliza um sistema misto já consagrado (disco na dianteira e tambor/lona na traseira) capazes de frear o veículo em pequenos distâncias. A manutenção do sistema não exige nada fora do comum e resume-se principalmente em verificações periódicas e limpeza, principalmente após deslocamentos que tenham exigido a transposição de rios ou lama profunda.

5.1. O fluído de freio, por ser higroscópico (atrai água) deve ser substituído a cada 12 meses ou 25.000 Km, o que ocorrer primeiro. Isso garantirá a eficiência do sistema de freios.

5.2. Use somente fluídos de freio com especificação SAE 1703 J - DOT 4 (vermelho) e procure completá-lo, quando necessário, somente com fluído da mesma marca/tipo daquele já presente no reservatório. Não misture marcas/especificações diferentes.

5.3. Lubrifique, a cada 10.000 Km, as guias das pinças do freio a disco e o eixo transversal dos pedais do freio e da embreagem.

5.4. Verifique (a cada 5.000 Km) o estado das lonas de freio do tambor traseiro, das pastilhas do freio a disco dianteiro e dos flexíveis do circuito de freio. Teste a eficiência do sistema.

6. SISTEMAS DE CÂMBIO, EMBREAGEM E DIREÇÃO

     Em relação ao câmbio, embreagem e direção do jota, deve-se observar atentamente os períodos de lubrificação, inspeção e substituição dos componentes, conforme descrito nos itens de lubrificação mais adiante. Além disso, realize as verificações conforme prescritas abaixo:

6.1. Verifique a cada 5.000 Km a folga do pedal da embreagem e regule-a, se necessário.

6.2. Inspecione periodicamente (10.000 Km) a fixação da caixa de direção hidráulica e reaperte se necessário.

6.3. Verifique o nível do fluído da direção e complete-o quando necessário. O fluído da direção deve ser substituído junto com seu elemento filtrante a cada 50.000 Km ou a cada 12 meses, o que ocorrer antes. O fluído especificado para o sistema de direção é o ATF Type B.

6.4. Inspecione e reaperte se necessário os terminais de direção e seus terminais de borracha (normalmente a cada 5.000 Km).

7. LUBRIFICAÇÃO

     A correta e periódica lubrificação dos diversos componentes móveis é que garante a proteção contra o atrito e conseqüentemente contra o desgaste das peças móveis do veículo. Jamais deve-se negligenciar a lubrificação usando-se produtos de baixa qualidade ou fora da especificação recomendada pelo fabricante. Veja a seguir os cuidados, os produtos e as periodicidades para a correta lubrificação.

7.1. Cruzetas e luvas deslizantes dos cardãs: devem ser engraxados a cada 5.000 Km no máximo ou sempre que forem submersos em lama ou água por muito tempo (como num raid ou trilha pesada, por exemplo). Produto especificado: Graxa NLGI - NR 4.

7.2. Diferenciais: Independente do uso, devem ter o óleo substituído a cada 25.000 Km no máximo. Além disso devem ter o nível de lubrificante verificado periodicamente (cada 5.000 Km) e este deverá ser completado, se necessário, apenas com lubrificante do mesmo tipo/marca/especificação daquele já existente. Quando o veículo não for dotado de snorkel para os respiros de diferencial/caixa, deve-se SEMPRE proceder a troca do óleo lubrificante dos diferenciais após o retorno de trilhas ou viagens que tenham exigido a transposição de atoleiros profundos, cursos d'água ou outras situações onde os diferenciais tenham sido submersos, o que provavelmente contaminou seu óleo com água e outras sujidades através dos respiros. Produtos especificados: DIFERENCIAL DIANTEIRO (clima quente) - Óleo SAE 85W140 EP / API GL-5 - (clima temperado) - Óleo SAE 80W90 EP / API GL-5. DIFERENCIAL TRASEIRO (clima quente e temperado) - Óleo SAE 90 EP LS (limited slip, especial para diferenciais autoblocantes).

7.3. Cubos das rodas (dianteiras e traseiras): devem ser engraxados no máximo a cada 25.000 Km. Produto especificado: Graxa NLGI - NR 3. Pode-se utilizar a graxa Molykote BR2 Plus, que é NLGI-2 EP.

7.4. Juntas homocinéticas/rolamentos: devem ser lubrificados a cada 5.000 Km e ter o lubrificante sunstituído a cada 30.000 Km. Produto especificado: Graxa NLGI - NR 2 (é altamente indicado o uso da graxa NLGI NR 2 com bissulfeto de molibdênio da Molykote - BR2 Plus).

7.5. Motor: verificar o nível do óleo lubrificante semanalmente e efetuar a sua troca a cada 5.000 Km juntamente com o filtro de óleo e de combustível. Produto especificado: Óleo SAE 20W50 ou SAE 15W50 ou ainda SAE 15W40 / todos API CF-4 ou superior (CG, CH ou CI).

7.6. Caixa de transmissão (Clark CL-2215A): verificar periodicamente o nível do lubrificante (5.000 Km) e substituí-lo a cada 30.000 Km. Produto especificado: Óleo SAE 80W90 EP / API Gl-4 ou GL-5.

7.7. Caixa de transmissão (Peugeot BA-7/5): verificar periodicamente o nível do lubrificante (5.000 Km) e substituí-lo a cada 30.000 Km. Produto especificado: Óleo SAE 10W40 ou SAE 15W40 / ambos API CF-4 ou superior, ou seja, É O MESMO óleo do motor.

7.8. Caixa de transferência (Auverland): verificar periodicamente o nível do lubrificante (5.000 Km) e substituí-lo a cada 30.000 Km. Produto especificado: Óleo SAE 80W90 EP / API GL-5.

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VEJA TAMBÉM:

TABELA DE LUBRIFICANTES E FLUÍDOS
Visite pelo link abaixo a tabela completa de lubrificantes e fluídos indicados para os JPX

RELAÇÃO DE PEÇAS ORIGINAIS E ADAPTÁVEIS
Visite pelo link ao lado a Página "Peças" e conheça as peças originais e adaptáveis dos JPX

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