11. Eliminação dos by-passes de água quente do motor

     Deve-se ter em mente que temos aqui a adaptação mais polêmica entre todas as demais propostas neste sítio... Recomenda-se a leitura de matéria completa.

     - Função do by-pass: Em hidráulica, o termo "by-pass" é usado para indicar um desvio, uma ramificação de um determinado fluxo de líquido. No sistema de arrefecimento de um propulsor automotivo o by-pass tem por função desviar, através da ação da válvula termostática, parte da água aquecida que sai da circulação pelas galerias do motor diretamente para recirculação pelo mesmo, sem passar pelo radiador onde seria resfriada. Essa derivação na circulação de água existe em razão da necessidade de aquecer rapidamente o motor depois da partida, visando atingir logo a temperatura ideal de trabalho e mantê-la depois, reduzindo o desgaste provocado pelo trabalho do motor a frio e melhorando seu rendimento (lembrar que o ciclo diesel é mais afetado em seu rendimento pelo frio). Essa necessidade aumenta especialmente em regiões de clima frio, onde as temperaturas encontram-se constantemente abaixo de 0º C, fazendo com que o motor demore a atingir sua temperatura ideal de trabalho (que normalmente fica entre 85 e 95ºC) o que faz necessário o desvio no fluxo de água quente para manter o motor aquecido visando um melhor funcionamento e rendimento do mesmo.
     Dados os problemas crônicos de superaquecimento experimentado pelos proprietários dos veículos JPX, desde novos, questiona-se severamente a qualidade do projeto do sistema de arrefecimento empregado nessas viaturas, incluindo a existência das tubulações dos 2 by-passes nele previstos (para recirculação de água quente no motor e pelo trocador de calor do óleo lubrificante - nos veículos equipados com esta peça), ainda que contrariando as melhores indicações técnicas. Com isso, diversos usuários e oficinas especializadas acabaram adotando o procedimento (questionável tecnicamente, como se verá) de eliminar estas derivações na circulação de água, forçando somente a circulação de água resfriada pelo radiador nas galerias do propulsor, ainda que isso provoque um aumento do tempo de operação com o motor frio após a partida, aumentando como conseqüência o seu nível de desgaste e prejudicando o rendimento.
     A remoção dos by-passes existentes, por si própria, a princípio não afasta o fantasma do superaquecimento uma vez que o fluxo de água aquecida que circula por eles de volta ao motor sem passar pelo radiador só é permitido pela válvula termostática quando o motor está frio, ou seja, quando a temperatura da água encontra-se abaixo da temperatura ideal de trabalho do propulsor (no jota entre 88 e 100ºC). Em condições normais de funcionamento do sistema (e em especial da válvula termostática) quando o motor se aquece, atingindo sua temperatura normal de trabalho, o fluxo de água quente que retorna pelos by-passes é diminuído ou totalmente interrompido com a abertura progressiva da válvula (a abertura máxima a 100ºC interrompe totalmente o fluxo pelos by-passes), que passa a liberar o fluxo da água quente para o radiador, para resfriamento. O problema é que, quando a válvula deixa de funcionar corretamente ou trava na posição fechada (o que não é raro de acontecer), o motor se aquece muito rapidamente devido à falta de circulação do líquido de arrefecimento pelo radiador, ocasionando um rápido e devastador superaquecimento capaz de queimar e romper a junta do cabeçote e empenar este último, liberando água do sistema de arrefecimento para o interior das câmaras de combustão dos cilindros, travando o motor e, não raro, ocasionando o temível calço hidráulico. Desta forma, com a eliminação dos by-pass, elimina-se o risco de, numa pane da válvula termostática, superaquecer o motor rapidamente a ponto deste sobreaquecimento não ser percebido a tempo de parar o veículo. Note-se mais uma vez que o problema de superaquecimento crônico dos JPX NÃO É OCASIONADO EXCLUSIVAMENTE pela recirculação da água quente que volta ao motor pelo by-pass do motor ou do trocador de calor do óleo lubrificante, mas por diferentes fatores somados, derivados do projeto do sistema de arrefecimento do motor e do veículo como um todo, incluindo o radiador (capacidade e material empregado na sua confecção), a elevada pressão necessária à pressurização do sistema, as reduzidas bitolas das galerias internas de arrefecimento do motor, a temperatura e o material de acionamento da válvula termostática, a adição, no Brasil, de um turbocompressor ao motor, não previsto originalmente no projeto francês, a baixa tolerância do material do cabeçote às elevadas temperaturas e, é claro, também as derivações de água quente operadas pelos by-passes aqui citados, em especial aquele que aquece o óleo lubrificante.
   - Nível de dificuldade: difícil - recomenda-se recorrer a uma oficina/profissional especializado.
   - Material utilizado: "girafa" (grua hidráulica) com corrente para sacar o motor da viatura, ferramentas diversas como chaves fixas, cachimbo, fenda e alicate para soltar o motor e as conexões/travas da tubulação de água, tampões para bujonamento dos locais indicados nas imagens ou solda da tubulação metálica envolvida. Nos veículos equipados com trocador de calor para o óleo lubrificante, caso se deseje também eliminar o seu by-pass, serão necessárias mangueiras apropriadas para criação de uma nova derivação para alimentação de água fria diretamente do radiador.
   - Comentários:
     Este procedimento consiste em remover as duas derivações (by-pass) que levam água quente (1) oriunda do bloco do motor diretamente para nova circulação no motor e (2) para o trocador de calor do óleo lubrificante (nos veículos equipados com esta peça), sem que haja sua circulação/arrefecimento pelo radiador, um dos fatores determinantes para o problema original de sobreaqueciento dos JPX, especialmente quando da ocorrência de defeitos na válvula termostática. Esta tubulação tem como função, como já explicado, fazer com que o motor aqueça mais rapidamente e mantenha-se em temperatura ideal de trabalho para o ciclo diesel. No Brasil, dada a predominância do clima tropical, a manutenção deste sistema acelera o aquecimento do conjunto e favorece a manutenção de temperaturas próximas ao máximo do regime de trabalho estabelecido para o propulsor (105-110ºC) que, aliado às demais deficiências do sistema de arrefecimento (como o subdimensionamento do radiador nos primeiros modelos saídos de fábrica) resulta num facilitador para um repentino e rápido superaquecimento do motor, ocasionando a queima da junta do cabeçote, empenamento deste último e outros problemas deles decorrentes, como calço hidráulico causado pela entrada de água do radiador nos pistões pela junta do cabeçote.
    
Recomendamos que, caso opte por realizar este procedimento, o mesmo seja efetuado por profissionais qualificados, com experiência em mecânica e manutenção de sistemas de arrefecimento automotivo.
     Primeiramente deve-se verificar se este procedimento já foi realizado anteriormente em seu veículo, desativando esta(s) derivação(ões). Muitas viaturas JPX já tiveram a tubulação do by-pass removida em concessionárias ou em oficinas para combater o problema do superaquecimento. É necessário, portanto, certificar-se de que não se estará removendo o motor sem necessidade. Para isso, olhando por baixo da viatura, pela sua direita (em relação à posição do motorista) procure identificar a turbina e, entre ela e o bloco do motor, verifique se existe uma tubulação metálica (peça presa ao bloco que se liga à mangueira de saída do radiador, saindo da caixa de entrada da bomba d'água e acompanhando a lateral do motor contornando-o pela parte traseira, acima do volante do motor e abaixo da bomba de vácuo, ligada ao receptáculo da válvula termostática (vide imagem 1 para referência visual). SE EXISTIR esta tubulação SUA VIATURA AINDA TEM O BY-PASS para a água do motor operante. Caso contrário, o by-pass a que nos referimos aqui já foi removido em algum momento. Na dúvida, converse com seu mecânico de confiança a respeito.
     Ciente de que existe a tubulação do by-pass e desejando removê-la, deve-se retirar o motor da viatura para facilitar o trabalho de identificação da tubulação e conexões envolvidas e seu posterior bujonamento e/ou confecção de ligações alternativas. Veja os passos abaixo:

Clique nas imagens abaixo para ampliá-las...

Imagem 1: Vista inferior

Imagem 2: Vista lateral do motor

1) Uma vez removido o motor, olhando pela sua direita (à partir da posição do motorista) localize a turbina e a remova juntamento com o coletor e seu mangote para que tenhamos acesso à tubulação de água que passa entre ela e o bloco do motor. Veja a tubulação que corre pela lateral do motor, saindo da parte traseira, logo acima do volante do motor e sobe, antes da conexão com o radiador ao lado da turbina, em direção ao cabeçote (veja as imagens 2, 3 e 4). Com a ajuda das chaves e/ou alicates apropriadas, desconecte a tubulação metálica dos terminais por suas braçadeiras. Você terá a tubulação solta como mostra a imagem 5 (detalhe na imagem 6 ).

Imagem 3: Tubulação do by-pass

Imagem 4: Vista traseira

2) Removida a tubulação do by-pass, deve-se providenciar o bujonamento das extremidades onde era ligada a tubulação metálica removida (o mais comum é usar tampões metálicos do mesmo diâmetro da tubulação retirada, preencher com solda uma ou as duas extremidades do cano metálico ou mandar confeccionar peças para esta função, a serem instaladas com as abraçadeiras originais nas extremidades). Devem ser tamponados (bujonados) os dois extremos que se conectam ao tubo metálico retirado, conforme pode ser visto nas imagens 5 e 6.

Imagem 5: Detalhe pontos de bujonamento

Imagem 6: Detalhe by-pass

3) Uma vez removido/desativado o by-pass pelo bujonamento das suas conexões ao motor, a água que circulará pelo cabeçote será apenas a água resfriada previamente pelo radiador, contribuindo para a manutenção de uma temperatura de trabalho mais baixa, apesar do impacto negativo no rendimento e desgaste do motor pelo maior trabalho a frio.

4) (Apenas para veículos equipados com trocador de calor para o óleo lubrificante - vide observação abaixo): Em alguns JPX, equipados com trocador de calor na base do filtro de óleo, há também uma derivação de água quente (by-pass) que sai diretamente do alojamento da válvula termostática (ver imagens 7, 8 e 9) que remete água aquecida também para o aquecimento do óleo lubrificante no trocador de calor. Esta mangueira pode ser vista na imagem 8 no destaque em verde. Para substituir esta tubulação deve ser confeccionada outra derivação com água proveniente diretamente do radiador (água fria) utilizando-se de mangueira em quantidade e bitola adequada a esta finalidade.

Imagem 7: Detalhe - válvula termostática

Imagem 8: Desenho esquemático do motor

Imagem 9: Esquema do sistema de arrefecimento

   TROCADOR DE CALOR ÁGUA-ÓLEO:

     Não são todos os veículos JPX que saíram de fábrica equipados com trocador de calor (vide imagens 8 e 9 - acima) para o óleo lubrificante. Ao que parece esta peça foi retirada nos modelos produzidos a partir de 1996 (?). Muitas oficinas também retiraram o trocador nos veículos que passaram por manutenção corretiva após padecerem por sobreaquecimento. Esta peça, quando existente, encontra-se na base do filtro de óleo, e tem como função (em todos os demais motores diesel conhecidos) resfriar o óleo lubrificante aquecido proveniente da circulação no motor antes de sua recirculação, ajudando no resfriamento do propulsor. No XUD-9A ocorre o inverso: o motor possui originalmente uma derivação de água quente que remete água aquecida para o aquecimento do óleo lubrificante no trocador de calor, esta mostra-se totalmente desnecessária em função da existência do by-pass para água do motor. Aconselha-se, portanto, que este by-pass do trocador de calor, caso existente, seja removido, alterando-se a ligação de água ali existente para que capte água fria oriunda diretamente do radiador para circulação no dispositivo, o que pode ser conseguido de forma relativamente fácil com a utilização de mangueiras e braçadeiras adequadas cf. item 4 - retro.

Relatos de usuários que fizeram esta adaptação e mediram tecnicamente as temperaturas de trabalho do motor dão conta de uma redução da ordem de 5 a 7 graus na temperatura média da água do motor.

Para uma melhor compreensão de como funciona o sistema de arrefecimento de um automóvel, sugerimos a leitura do artigo
"Como Funciona o Sistema de Arrefecimento" no didático e preciso site Webmecauto.

Créditos:
Texto e legendas de Getulio R. Vogetta. Colaboração e fotos originais: Augusto Braga.
Desenhos esquemáticos: Peugeot Moteurs e JPX do Brasil.

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